França

Local Villeneuve-sur-Lot, França
Data 1 a 7 de fevereiro de 2018
Tema/Título JOB-SHADOWING EM VILLENEUVE-SUR-LOT, FRANÇA
Participantes Francisca Pataco e Gracinda Dias

No dia 1 de fevereiro, à distância de uma hora e meia de voo, estávamos no aeroporto de Bordeaux e foi preciso outro tanto tempo para chegarmos ao destino: Villeneuve-sur-Lot, uma vila tranquila, situada numa fértil planície da região de Aquitaine, banhada pelos rios Garonne e Lot.

A deslocação de duas professoras do AESA, Francisca Pataco e Gracinda Dias, inseriu-se na atividade de Job-Shadowing , no âmbito do projeto SCI-Supervisão colaborativa e Inclusão, incluido no projeto citado em epígrafe .

Fomos recebidas na escola, Institution Sainte-Catherine, por uma comitiva de alunos e professores a entoar “Les Champs Elysées”, debaixo de uma chuva miudinha que, mesmo assim, não os inibiu de concretizar a surpresa de boas-vindas a todo o grupo, incluindo os participantes da Roménia, em intercâmbio escolar. Deste modo, mais um objetivo veio, espontaneamente, enriquecer a nossa mobilidade ao permitir-nos observar práticas de acolhimento da escola. Com efeito, esta tem uma longa tradição de participar em projetos de intercâmbios escolares com escolas europeias e não só. No presente ano letivo, desenvolvem um projeto de solidariedade internacional com Madagáscar. Esta abertura à Europa e ao mundo transparece também na oferta formativa da escola no que se refere à variedade de  línguas estrangeiras.

Sainte-Catherine é uma escola privada, com contrato de associação ao Estado, católica, o que explica o nome de uma santa atribuído, facto que não é permitido em escolas públicas. Nesta, pelo contrário, os símbolos religiosos marcam presença, a começar pela cruz imponente na fachada principal ou pelas orações afixadas nos corredores de alguns edifícios.

Pudemos observar que os diferentes níveis de ensino, desde o pré-escolar ao secundário, funcionam em espaços específicos, adequados à faixa etária dos alunos e bem equipados. Os cerca de mil alunos, dos quais uma centena em regime de internato, convivem pacificamente embora o espaço de recreio das crianças mais novas seja exclusivo. Assistimos a uma grande diversidade de atividades, nas diferentes salas de pré-escolar, sempre suportadas por recursos materiais potenciadores da criatividade e da inovação pedagógica.

Durante a visita às turmas do 1º ciclo, chamou-nos a atenção o comportamento cívico dos alunos, evidenciado através de pequenos gestos e de práticas reveladoras do respeito pelo outro e de preocupação com a manutenção do espaço. Percebemos que estes comportamentos, o cumprimento de regras de higiene e de  rotinas interiorizadas contribuem para colmatar o número reduzido de pessoal auxiliar, facto que já tinhamos constatado. Mas foi à hora do almoço, no refeitório, que nos certificámos de que o contributo dos alunos é fundamental para o bom funcionamento da escola e é importante para o seu crescimento pessoal ao desenvolverem o espírito de entreajuda, de solidariedade e de valorização do ambiente. Os alunos põem as mesas, arrumam as cadeiras e,no final da refeição, asseguram que o espaço ficou limpo e procedem à correta triagem de restos alimentícios e de objetos recicláveis.

Para além da “digressão”pelos diferentes espaços escolares, também assistimos a aulas de várias disciplinas e participámos na sessão de apresentação do sistema educativo francês. E, como não podia deixar de se, os nossos anfitriões proporcionaram-nos o encontro com encarregados de educação e com representantes de alguns setores da comunidade local. Foi um momento agradável de partilha cultural e gastronómica em que experimentámos sabores da afamada cozinha francesa. Ao longo do serão, prosseguimos nessa viagem pelos sentidos com a alegre e colorida visão do traje nacional da Roménia envergado pelas alunas numa dança tradicional. Ainda houve lugar para ouvir música francesa e para silenciar a assistência logo aos primeiros acordos da guitarra portuguesa a acompanhar um fado na voz poderosa de Mariza.

Finalmente, para complementar os conhecimentos adquiridos na área da educação, foi-nos proporcionado o enriquecimento cultural através de uma visita guiada à vila e à região. Villeneuve-sur-Lot situa-se num departamento rural do sudoeste de França cuja principal fonte de rendimento está ligada à atividade agrícola. Os campos são férteis e bem tratados, com vastas áreas de pomares, maioritariamente ameixieiras. Estas árvores frutificam abundantemente e dão origem a uma variedade de produtos regionais muito apreciados: pruneaux secs, fourrés ou enrobés au chocolat.

Sentimos que o tempo voara e que, rapidamente, também tinha chegado a nossa hora de “voar” e de acondicionar, delicamente, ao lado dos inevitáveis doces típicos, a não menos doce lembrança de uma semana de valor acrescentado, cultural  e afetivo.

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