Balanço Final da Implementação CLIL

Balanço com base nos relatórios das equipas CLIL

 

Aspetos positivos

 

A nível da educação pré-escolar as crianças tiveram oportunidade de contactar com a língua estrangeira precocemente, sem ter de aguardar por uma oportunidade futura para o fazer e foram expostas à língua estrangeira, integrada nas atividades curriculares e na rotina da sala de forma natural.

Assim, as crianças irão desenvolver não só uma aprendizagem significativa e motivadora, face ao desafio que constitui aprender conteúdos curriculares numa língua estrangeira, mas também uma aprendizagem inclusiva e intercultural, face ao conhecimento que vão adquirindo da língua e cultura do outro, ao longo do seu desenvolvimento pessoal e do seu percurso educativo como cidadãos portugueses e europeus.

Com as atividades bilingues na educação pré-escolar as crianças aprenderam não só conteúdos temáticos, em inglês, de forma integrada na sua rotina diária, mas também refletiram sobre valores fundamentais, tais como a cooperação para atingir um objectivo comum. Desta forma, as crianças desenvolveram competências transversais, tais como a importância do trabalho cooperativo, mas também desenvolveram a sua criatividade.

Relativamente ao 1º ciclo podemos acrescentar que, através do trabalho de pares e trabalho cooperativo, os alunos adquiriram/ desenvolveram o respeito pelo outro e a capacidade de ajudar. Os alunos que terminaram as tarefas mais cedo voluntariaram-se para ajudar quem mais necessitava.

Destacam-se como aspetos positivos o desenvolvimento do sentido crítico, superação de dificuldades entre pares e a felicidade pela conquista.

Ao nível do 3º ciclo e ensino secundário destacaram-se os seguintes aspetos positivos:

-Envolvimento e participação dos alunos

-Os alunos não se limitaram a participar nas atividades, a qualidade da sua participação foi muito positiva

-O trabalho em equipa

-Trabalho colaborativo

-Desenvolvimento de skills das componentes escritas e orais

-Trabalhar texto em 3 línguas –Língua Materna, Inglês e Francês

-Apresentação oral dos trabalhos perante público (escolar) e exposição dos trabalhos nos vários espaços do agrupamento, assim como nos diversos canais media

-Aprofundamento de conhecimentos linguísticos e culturais no âmbito da língua materna e nas línguas estrangeiras

-Aprendizagem de termos da área específica de desenho, pintura e comunicação visual na língua materna e língua estrangeira

-Os alunos sentiram-se a par da professora da disciplina no que refere às competências linguísticas e sentiram entusiasmo pela aprendizagem tanto de outra língua como dos conteúdos específicos da disciplina

-Existência de uma maior partilha entre pares e, consequentemente, um maior conhecimento das diferentes temáticas abordadas nas várias áreas disciplinares, facilitando-se a interdisciplinaridade

-Reforço da interação entre os docentes envolvidos; troca de experiências pessoais e profissionais, assim como de estratégias de lecionação das respetivas disciplinas

-Maior envolvimento do EE nas atividades escolares

-Para a maioria dos alunos, maior motivação e maior empenho nas atividades (pela novidade, pela mudança das estratégias, pela utilização da língua estrangeira).

A metodologia CLIL deu oportunidade aos alunos de obterem conhecimentos linguísticos em contexto. Puderam assim, praticar mais a língua inglesa, sem mais carga horária adicional.

A preparação para a integração no Ensino Superior e/ou no mercado de trabalho é privilegiada pela proficiência linguística obtida.

 

Aspetos negativos

Dificuldades

Alguns alunos apresentaram dificuldades em trabalhar a pares.

No 1º ciclo, os pares de alunos com necessidades educativas especiais tiveram alguma dificuldade no trabalho colaborativo, uma vez que o segundo nem sempre correspondeu às expetativas do primeiro em termos de ritmo de trabalho.

(Tudo isto é natural, uma vez que a aquisição destas competências faz parte de um processo de aprendizagem.)

Seria desejável que as atividades bilingues no âmbito da Programação 1º ciclo fossem acompanhadas pela professora de Inglês das turmas e estar inseridas no tempo curricular da aula de Inglês, em vez de estarem inseridas na aula do professor titular.

No 3º ciclo e ensino secundário, alguns alunos apresentaram algum desinteresse e desmotivação face à língua inglesa, o que dificultou o desenvolvimento das atividades.

Outros alunos demonstraram forte dificuldade e até aversão ao uso de línguas estrangeiras, relevando fortes dificuldades na sua utilização.

Em relação a EE e alunos, em alguns casos foi patente a preocupação de que a língua estrangeira prejudique a avaliação obtida em CN.

A linguagem no âmbito das disciplinas curriculares tem que estar cientificamente correta. No âmbito da disciplina de FQ houve alguma dificuldade em perceber quais os termos apropriados para designar as diferentes grandezas físicas como por exemplo “distância percorrida”, “deslocamento”, “velocidade” ou “rapidez”.

Houve pouco interesse e disponibilidade por parte de alguns alunos dos cursos profissionais em realizar algumas tarefas e cumprir o timing solicitado.

Sentiu-se alguma dificuldade de articulação e comunicação no seio de algumas equipas.

Deveria haver uma maior disponibilidade (docentes, horário…) para o desenvolvimento colaborativo de atividades bilingues com mais frequência.

Existe ainda uma ausência de reflexão sobre a forma de se conciliarem currículos sujeitos a avaliação apenas em língua portuguesa com esta metodologia.

 

Observações

 

Deverá dar-se continuidade à implementação do ensino bilingue na educação pré-escolar e no 1º ciclo, sendo disponibilizados recursos humanos e materiais para o efeito, mesmo após a finalização do projeto Speak English, Reach Success!

Deverá continuar a fazer-se a ponte entre várias projetos nacionais e internacionais do agrupamento, de forma a rentabilizar os recursos e as atividades desenvolvidas.

O facto de alguns alunos demonstrarem forte dificuldade e até aversão ao uso de línguas estrangeiras, relevando fortes dificuldades na sua utilização após vários anos de aprendizagem escolar, deve ser motivo de reflexão e de modificação de procedimentos por parte da escola/sistema de ensino, se o objetivo for realmente a formação de gerações de jovens bilingues.

A implementação do CLIL é um processo extraordinariamente trabalhoso e consumidor de tempo e de esforço por parte dos professores, que inevitavelmente sentirão que o seu empenho não é reconhecido e recompensado pelas tutelas e que os modelos de trabalho docente vigentes são entraves reais à sua correta implementação.

Deverá ser atribuído mais tempo de trabalho a todos os intervenientes.

Deverá continuar-se com trabalho colaborativo entre alunos e entre docentes do mesmo CT, assim como continuar com trabalho colaborativo entre docentes de grupos de recrutamento diferentes.

Todo o trabalho realizado deverá ser sistematizado e divulgado.

A análise de resultados e a continuação destas práticas necessitam de uma sistematização que possibilite e facilite a implementação futura do projeto.

prog_financiado

Anúncios